Quem disse que a sua empresa passará ao largo da Realidade Virtual?

Em “O Vingador do Futuro”, filme lançado há 15 anos, o personagem Douglas Quaid, interpretado por Arnold Schwarzenegger, embarca em uma viagem virtual para Marte ao fazer um implante de memória. Desembarcar virtualmente em um outro planeta para uma jornada de exploração científica não será mais apenas filme de ficção. O que até pouco tempo poderia ser apenas fruto da nossa imaginação começa a transformar a realidade virtual (VR) em uma tecnologia que irá mudar nossas vidas em diferentes aspectos.

Imagine algumas cenas:

– Em um tribunal, os jurados ouvem a acusação, depois a defesa e, antes de se reunirem para o veredito, vestem óculos 3D para entrar na cena do crime;

– Sem tempo para enfrentar o trânsito ou porque estão em cidades diferentes, os colegas da empresa organizam uma reunião em uma sala simulada que os faz sentir como se estivessem realmente ali, sentados à mesma mesa.

– Um cliente entra em um stand imobiliário e, ao invés de catálogos e apartamentos decorados, recebe um óculos que permitirá conhecer todos os detalhes da futura casa, como se já estivesse prontinha para receber os amigos.

– A escola, então, nunca mais será a mesma, com alunos estudando o Império Romano como se fossem protagonistas da História.

A realidade virtual foi a grande estrela no Mobile World Congress, em Barcelona, onde se reuniram os grandes expoentes do mundo da tecnologia para apresentar seus lançamentos e nos surpreender com o que o futuro nos reserva. Ficou claro que a VR irá muito além dos games e fará parte do nosso dia a dia em funcionalidades que ainda nem mesmo descobrimos. O jogo será outro e as empresas que não acreditarem nesta nova realidade certamente irão perder a nova onda de desenvolvimento de produtos e aplicativos sociais.

Para anunciar uma parceria com a Samsung, Mark Zuckerberg inesperadamente subiu ao palco do congresso e sentenciou: “em breve viveremos em um mundo onde todos terão o poder de compartilhar experiências através de cenas que darão a sensação de que estamos realmente ali. A VR será a próxima plataforma social”.

É bom não duvidar e achar que tudo não passa de um exercício de futurologia. Segundo o fundador do Facebook, nada menos que 1 milhão de pessoas já assistem vídeos em 360 graus todos os dias e já há mais de 20 mil destes filmes disponíveis na rede social.

Zuckerberg anunciou também que a empresa montou um time com a missão de pesquisar quais serão as possibilidades de aplicação da realidade virtual no desenvolvimento de projetos com a Samsung, especialmente em vídeos capturados em câmeras 360 que serão assistidos nos óculos Gear da fabricante coreana e em alta definição ao incorporarem a tecnologia “dynamic streaming” desenvolvida pelo Facebook.

Além da Samsung, outros grandes fabricantes também anunciaram no Congresso várias novidades no campo da realidade virtual.

Em parceria com a Valve, a HTC divulgou que irá começar a receber encomendas no final deste mês para os óculos HTC Vive, que custará US$ 799.

Assim como a Samsung, sua rival LG também apresentou novas câmeras 360, além de um headset que funcionará com seu novo smartphone G5. Os novos celulares 4S da Alcatel também serão compatíveis com o Cardboard, os óculos do Google. Os preços ainda são um pouco salgados, mas como em toda nova tecnologia não levará muito tempo para que se popularizem e se tornem o passaporte para qualquer realidade que desejarmos experimentar.

Em meu artigo para a Computerworld, analisei as transformações que a digitalização de negócios irá promover, fazendo surgir concorrentes suportados por tecnologias inovadoras que tendem a deixar para trás grandes empresas tradicionais de diversos setores, seja no mercado financeiro, em viagens, no varejo ou na área de mobilidade urbana.

A julgar pelo que vimos no Mobile World Congress, mais do que simplesmente digitalizar, será preciso virtualizar.

Seja qual for seu core business, já passou da hora de soltar a imaginação para desenvolver soluções que entreguem, acima de tudo, experiências capazes de transportar seus consumidores para o universo da sua marca. Ou, quem sabe, empreender em novas empresas que terão a VR como plataforma. Já pensou nisso? Ou vai ficar fora desta realidade?

(*) Felipe Almeida é CMO da ZUP 

 

Texto compartilhado do site CIO.